Review - Argo


    Argo (2012), terceiro longa-metragem dirigido por Ben Affleck, se passa no Irã no final da década de 70 durante a Revolução Iraniana, quando um protesto antiamericano resultou na invasão e em 54 reféns dentro da embaixada americana no país. No meio da invasão, seis americanos conseguem escapar e se refugiam na casa do embaixador canadense. Enquanto isso, sigilosamente, a CIA planeja a melhor forma para retirá-los do Irã antes que os estudantes e militares islâmicos descubram a fuga. Com isso o especialista em “exfiltrações”, interpretado por Ben Affleck, propõe uma arriscada e insana solução: Produzir um filme falso chamado Argo para encobrir a operação.

      Já no início mostra-se ao espectador sobre do que se trata e te insere, não somente no contexto histórico, mas no espírito do filme. As cenas reais e a narração que contam a origem e os motivos da Revolução Iraniana se misturam com fotos de uma espécie de StoryBoard de cinema, que ilustra a toda a narração. Isso representa bem a situação que o filme dramatiza e coube muito bem como introdução do longa. Logo após a narração e as cenas reais das revoltas do período, a reprodução do protesto em frente à embaixada americana no Irã proporciona um mergulho de cabeça para dentro da história.

    Escrito por Chris Terrio, o roteiro é o ponto forte do filme. E é baseado no artigo da Wired, escrito por Joshuah Bearman logo após os documentos da operação da CIA terem sido liberados. Os produtores George Clooney e Grant Heslov tomaram o projeto em 2007 e confirmaram Ben Affleck para dirigir em fevereiro de 2011. Na apresentação do filme em Beverly Hills, Affleck confessou não ter acreditado que o roteiro era tão bom.

     A história é impressionante e, às vezes, inacreditável, porém muito fácil de acompanhar por ser bem contada. Se eu não soubesse que era baseado em fatos reais, eu duvidaria muito caso alguém me informasse que essa operação tinha realmente ocorrido. Foi um episódio muito singular, porém real. Foi a operação da CIA mais romanceada da história. O fato de ser uma história verídica engrandece o filme e faz com que ele fique mais interessante. E Ben Affleck conseguiu transmiti-la satisfatoriamente. O que deu certo poder para o filme: ter uma história muito boa em mãos e contá-la direito.

    Os atores fazem um bom trabalho nas mãos de Affleck, e até o próprio atua delicadamente dando a frieza que o protagonista exige. Bryan Cranston faz o agente da CIA Jack O’Donnel, John Goodman faz o maquiador John Chambers e Alan Arkin faz o produtor Lester Siegel, os três personagens extremamente importantes para que a missão Argo obtivesse sucesso.

    A caracterização, maquiagem e figurino dos atores está espetacular e ajuda muito a imergir o espectador na época dos anos 70/80 em que o filme se passa. E, nos créditos, aparecem a fotos dos atores ao lado dos personagens reais, o que mostra bem como o filme tenta ser fiel aos fatos.

    A tensão do filme se estende por longos minutos e dramatiza as situações. Cenas improváveis de terem sido documentadas, porém ocorridas no filme, dão a ação que o filme necessita. O filme também contém leves toques de humor, que completam os diálogos, e toques melodramáticos que dão aos personagens a carga emocional necessária e que o espectador precisa para se envolver com a trama.


    O filme me satisfez e me convenceu de que Ben Affleck pode ser um nome recorrente nas futuras premiações de cinema por todo o mundo. E com todos os seus detalhes e sutilezas, o filme se desdobra com um ritmo surpreendente que faz exatas duas horas passarem rapidamente.

Veredicto: Recomendo!






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Fixo no Crucifixo!


Sério, Bela Lugosi devia ter ganhado um Oscar! hehe





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